Calor extremo pesa mais sobre mulheres e expõe desigualdades
Quando as temperaturas sobem a níveis extremos, o risco não é distribuído de forma igual. Estudos recentes sobre ondas de calor na Europa indicam que as mulheres têm morrido mais do que os homens nesses períodos, um dado que chama atenção não apenas pela gravidade, mas pela leitura que impõe sobre vulnerabilidade social.
A primeira reação costuma ser buscar uma explicação no corpo humano. No entanto, especialistas apontam que a resposta é mais complexa. A diferença observada entre homens e mulheres pode estar ligada sobretudo a fatores como idade, renda, condições de moradia, acesso a cuidados e tipo de ocupação, e não necessariamente a uma sensibilidade biológica maior ao calor.
Em muitos contextos, mulheres mais velhas vivem sozinhas, têm menor proteção econômica e enfrentam mais obstáculos para adaptar a rotina em dias de calor intenso. Além disso, quando o trabalho exige longas jornadas, deslocamentos ou permanência em ambientes sem climatização, o impacto do clima extremo se torna ainda mais desigual. O calor, nesse cenário, funciona como um amplificador de vulnerabilidades já existentes.
O debate, portanto, vai além da meteorologia. Ele expõe como saúde pública, desigualdade de gênero e organização social se cruzam quando o clima se torna ameaça. Em um mundo cada vez mais exposto a ondas de calor, proteger a população também significa olhar para quem está mais desamparado diante delas.
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