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Como começar a ler a Bíblia e estudá-la? Especialista dá dicas

04 de September de 2026 2 leituras
Como começar a ler a Bíblia e estudá-la? Especialista dá dicas

No Mês da Bíblia, o especialista Denis Duarte indica como começar a lê-la e avançar para um estudo bíblico, para adquirir intimidade com a Palavra de Deus

Jéssica Marçal
Da Redação

Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra incessantemente o seu alimento e a sua força, porque nela não recebe apenas uma palavra humana, mas o que ela é na realidade: a Palavra de Deus. Essa explicação que o Catecismo da Igreja Católica nos traz sobre a Bíblia confirma o valor que ela tem para a vida de fé dos fiéis.

Aqui na Igreja no Brasil, uma iniciativa para valorizar ainda mais as Sagradas Escrituras e incentivar sua leitura diária é o Mês da Bíblia. Sobre este assunto, o noticias.cancaonova.com conversou com o especialista em Bíblia, Denis Duarte. Confira a entrevista:

noticias.cancaonova.com – Qual é a melhor forma de começar a ler a Bíblia?

Denis Duarte – Bom, o básico é evitarmos pegar textos muito isolados, porque o texto bíblico foi escrito dentro de um contexto: são livros bíblicos. Quando você pega um clássico da literatura brasileira — Machado de Assis, por exemplo —, você não vai ler simplesmente um trecho; você vai ler o livro e seus capítulos. Portanto, o ideal é analisarmos os capítulos inteiros. Na liturgia diária, a Igreja organiza a leitura de modo que percorremos toda a Sagrada Escritura ao longo dos Anos A, B e C. É da mesma forma que devemos agir quando realizamos uma leitura e, sobretudo, o estudo da Bíblia.

Outro ponto muito importante é tudo o que as nossas traduções trazem. Quem faz a tradução sabe da nossa dificuldade com o texto bíblico. Quem nunca esbarrou em uma passagem difícil e teve problemas para compreendê-la? Por isso, existem recursos nessas edições: notas de rodapé, textos introdutórios, mapas e glossários. Todo esse aparato está ali para ajudar no entendimento durante a leitura e o estudo da Sagrada Escritura.

“O básico é evitarmos pegar textos muito isolados, porque o texto bíblico foi escrito dentro de um contexto”

noticias.cancaonova.com – Não basta começar a ler a Bíblia, é preciso perseverar. Às vezes a pessoa até começa, mas desanima no meio da caminhada. Tem alguma dica, nesse sentido, que possa ajudar?

Denis Duarte –  Bom, aí a gente entende a diferença entre leitura e estudo: a leitura eu vou fazer ali em algum momento, eu vou ler um salmo, eu vou fazer uma oração ou em uma reunião de um grupo, ou na igreja, paróquia. Agora, um estudo, como a própria palavra diz, a gente vai ter uma disciplina, horário, local. Como você vai estudar numa escola, universidade, você tem que entender aquela disciplina, pegar um livro, estudar, ter horário, ter caderno, caneta; é de muita importância ter essa diferenciação. Assim como quando a gente vai estudar para alguma prova, às vezes a gente acaba não entendendo aquela matéria de primeira, então você tem que continuar insistindo, buscar alguns textos de apoio para te ajudar. Então, o estudo bíblico é isso. Quem desanima geralmente é no estudo bíblico, mas porque muitas vezes encara o estudo bíblico como leitura bíblica.

noticias.cancaonova.com – Quando já houve uma iniciação na leitura bíblica e surge o desejo de aprofundamento, existem métodos que podem ajudar. Tradicionalmente temos a lectio divina, popularmente conhecida como leitura orante, e um método criado pelo padre Jonas Abib que é “a Bíblia no meu dia a dia”. Como esses métodos funcionam e realmente ajudam a entender melhor a Palavra de Deus?

Denis Duarte – Para quem toma a decisão de fazer o estudo bíblico, que é o que a gente recomenda, você precisa de um método. Eu costumo dizer que o método é como um mapa: a gente tem que sair de um ponto e chegar em outro, como uma viagem, né? Aí você pode tomar uma decisão, ou melhor, você terá que tomar uma decisão. Às vezes vai ter mais de um caminho para chegar naquele local. Não, eu quero pagar menos pedágio, ou quero chegar mais rápido, ou por um caminho que tenha lugares melhores de paradas porque vou com criança, com família… Você faz uma decisão quando você vai fazer uma viagem longa, e fazer um estudo bíblico por mais de 70 livros é uma viagem longa, né? Então é ideal que você tenha um método, escolha um método que te ajude nessa viagem, porque o método é isso: o método é como uma receita de bolo. Para que o bolo dê certo, você precisa da receita, você precisa segui-la.

O primeiro deles, que é a Lectio Divina: é o método que originalmente a Igreja nos ensina e nos orienta. A partir da Lectio Divina, a gente tem outros excelentes métodos, como é o caso da Bíblia no Meu Dia a Dia, ensinado pelo Padre Jonas Abib, que se origina da Lectio Divina. Ali você vai ver a indicação, o que você vai ver, que texto você vai ler, como você vai ler aquele texto, o que você tem que encontrar naquele texto. Mais adiante é: como eu vou trazer aquele texto para minha vida, para minha realidade? Aí Deus vai falar com você e você vai dialogar com Ele. Então, como também você vai rezar com esse texto? E assim como você vai contemplar a presença de Deus. Tudo isso, esses métodos nos ajudam porque são métodos todos eles baseados na Lectio Divina, que não é só apenas para entender o texto bíblico, mas é a partir do entendimento que eu vou adquirindo do texto bíblico que eu vou conseguir ouvir a voz de Deus e rezar com a Palavra de Deus. Acho que isso que é o fundamental desses métodos: além de ser esse mapa nos dá essa segurança de entender a Sagrada Escritura, mas trazê-la para a nossa vida e poder  dialogar, rezar e contemplar a presença de Deus.

“A leitura (da Bíblia) eu vou fazer ali em algum momento. Agora, um estudo, como a própria palavra diz, a gente vai ter uma disciplina, horário, local.” 

noticias.cancaonova.com – Do método, nós partimos agora para a plataforma. Hoje em dia é muito comum a leitura da Bíblia por meios digitais – seja em aplicativos, sites ou redes sociais. Mas o ambiente digital tem também as suas distrações. Em que medida a tecnologia que temos hoje pode ajudar ou atrapalhar o estudo bíblico?

Denis Duarte – Eu sou fã de tecnologia e a Canção Nova é uma precursora, inclusive, no uso da tecnologia na evangelização no Brasil, né? Então, hoje você tem a facilidade, de fato, né, no celular, por exemplo: você tem a própria tradução da Sagrada Escritura. Hoje mesmo você tem várias ferramentas que podem te ajudar no estudo, inclusive cursos bíblicos. Eu dou curso bíblico pela internet, eu tenho cursos ensinando a Sagrada Escritura. Uso redes sociais, Instagram, sobretudo, para ensinar a Sagrada Escritura. Então, isso é muito bom, porque te dá muita possibilidade. Agora, o risco que eu acredito que é o maior é que como como tem muita coisa sendo oferecida, tem muita coisa que não condiz com a maneira da Igreja Católica ensinar a Sagrada Escritura. É uma certa curadoria que a gente tem que fazer. Não dá pra sair acreditando em tudo que a gente encontra por aí. Então, você tem que olhar com cuidado qual é a fonte daquilo que você tá consultando. Você tem segurança nessa informação que está consultando? Quem é que está transmitindo essa informação? Fazer o que o São Paulo nos ensina: examinar tudo, mas ficar apenas com o que é bom.

noticias.cancaonova.com – Para motivar esse contato, esse estudo com a Palavra de Deus, a Igreja no Brasil tem uma iniciativa já consolidada – está completando 55 anos em 2026 – que é o Mês da Bíblia, em setembro, quando se celebra São Jerônimo, mundialmente conhecido por traduzir a Bíblia para o latim. A cada ano é escolhido um tema, para este temos o livro do profeta Daniel, capítulo 7, versículo 14: “Seu Reino Jamais será destruído”. O que este livro bíblico, este profeta e este trecho, em especial, ensinam aos dias atuais?

Denis Duarte – Esse Mês da Bíblia é um mês importante para nós, para nos lembrar da Sagrada Escritura e retomarmos esse gosto pela Palavra de Deus. Para este ano o tema é o profeta Daniel. Sempre um ano é um texto indicado do Antigo Testamento, no ano seguinte, do Novo Testamento, e assim por diante. E este ano de 2026 é o Livro do Profeta Daniel.  É bacana porque essa escolha tem sempre uma questão de buscarmos atualizar o texto para a nossa vida individual, mas também para a nossa vida em sociedade. E o Livro do Profeta Daniel, ele tem umas características interessantes: primeiro que, como todo livro profético, ele faz uma denúncia daquilo que está acontecendo de mal e de ruim naquele momento histórico que ele está vivendo; e, assim, também ele aponta os caminhos do que Deus orienta para o povo, de acordo com as leis de Deus, como o povo deve caminhar de acordo com as leis de Deus. Isso você vai encontrar em praticamente todos os livros dos profetas. Só que o livro de Daniel tem outra característica: além de um livro profético, ele é um livro apocalíptico! Você vai ler e vai perceber muitos textos parecidos com o que a gente encontra no Livro do Apocalipse. É um tipo de literatura. É bonito que esse tipo de literatura, entre tantas características que há na literatura apocalíptica, há a característica da esperança. Então Daniel, ao mesmo tempo que ele denuncia o que está acontecendo de ruim, o que está acontecendo naquele período, e aponta, de acordo com as leis de Deus, qual o caminho que o povo deve seguir, ele também amplia o horizonte, porque aí também ele vai estender isso até a eternidade. Então esse trecho escolhido como tema desse ano – “Seu Reino jamais será destruído” – nos lembra o que Jesus falou sobre a própria Igreja: “Que as portas do inferno nunca prevaleceriam sobre ela”. Para que a gente tenha essa segurança de que Deus está conosco.

“Para quem toma a decisão de fazer o estudo bíblico, que é o que a gente recomenda, você precisa de um método.”

noticias.cancaonova.com – Como essa motivação do Mês da Bíblia pode ser traduzida de forma mais próxima das pessoas, nas igrejas locais, nas paróquias? Que tipos de iniciativas você acha que poderiam ser realizadas, durante este mês mas também depois, e fazer a diferença para trazer as pessoas para mais perto das Sagradas Escrituras?

Denis Duarte – Neste mês de setembro, graças a Deus, existem muitas dessas iniciativas. Muitas dioceses, paróquias promovem alguma formação relacionada ao livro bíblico daquele ano, nesse caso o Livro do Profeta Daniel. Então, eu sugiro que as pessoas procurem em suas próprias paróquias, sem suas próprias dioceses as formações que talvez sejam oferecidas nesse período, porque aí, com essa ajuda, você começa ou uma leitura ou, se de modo mais aprofundado, um estudo bíblico.

E sugiro também: caso não encontre, você mesmo pode promover! “Ah, mas eu não sei da Bíblia…” Mas hoje você encontra subsídios para poder começar um estudo em grupos — que, inclusive, é maravilhoso! Eu participo de um grupo na minha paróquia aqui em Cachoeira Paulista, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Nós temos um grupo permanente de estudo bíblico semanal: uma horinha por semana, mas estudamos de cabo a rabo um livro bíblico, começamos desde o início e vamos até o final, juntos. Isso é maravilhoso! Às vezes, por alguma situação, distância, questão geográfica, se não dá para ir na paróquia, ok, faça na sua casa! Por muito tempo fiz estudo bíblico na garagem da minha casa; a gente brincava e chamava de “Bíblia na Garagem”! Era o nosso grupo que reunia os vizinhos, o pessoal do meu bairro ali. Éramos 10 a 15 pessoas que por muito tempo fizemos estudo bíblico ali dentro da minha garagem. Cada um levava uma cadeira, tomávamos um café depois — cada um levava alguma coisa. Era uma maneira não só de conhecer a Palavra de Deus, mas também de favorecer o relacionamento entre os vizinhos, que isso também faz parte da Palavra de Deus. Você vai ver que tudo na Palavra de Deus acontece de forma comunitária. Então, além de procurar o que é oferecido na paróquia, na diocese, sugiro que você tome uma iniciativa, seja de fazer um estudo pessoal, mas de preferência promover um estudo comunitário.

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Rodapé editorial

Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de noticias.cancaonova.com.

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