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Soberania divina e ação profética marcam as reflexões do Mês da Bíblia

01 de September de 2026 4 leituras
Soberania divina e ação profética marcam as reflexões do Mês da Bíblia
Foto: Gareth Davies / Pexels

Tradição consolidada na Igreja no Brasil utiliza o método da Leitura Orante para aproximar famílias e grupos paroquiais das reflexões contemporâneas do Livro de Daniel

Thiago Coutinho
Da redação

Em setembro, a Igreja recorda o Mês da Bíblia que, este ano, traz as reflexões do Livro de Daniel / Foto: Gabriel Fontana

“Seu reino jamais será destruído” é o tema escolhido pela Igreja para celebrar neste setembro o Mês da Bíblia. Extraído de Daniel (7,14), o tema gira em torno da soberania de Deus, da resistência espiritual e da fidelidade ao Senhor em tempos de crise.

Diante das incertezas e crises do mundo contemporâneo, de que maneira a reflexão sobre a fidelidade a Deus e a resistência espiritual proposta pelo profeta pode fortalecer a fé das comunidades cotidianamente?

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“O Livro de Daniel foi escrito num momento de forte crise, marcado pela proibição de Antíoco IV Epífanes, no período grego, e por intensa perseguição”, contextualiza Irmã Zuleica Aparecida Silvano, religiosa paulina, mestra em exegese bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, Doutora em Teologia Bíblica pela Faculdade Jesuíta de Teologia (FAJE) e assessora no Serviço de Animação Bíblica/Paulinas (SAB), responsável pelo subsídio do Mês da Bíblia. “Assim, esse livro tem como finalidade fortalecer a fé dos judeus em um contexto adverso. Para as comunidades cristãs de hoje, penso que um elemento fundamental é perguntar-se como se manter fiel aos valores evangélicos em uma cultura que pouco valoriza esses aspectos”.

Para a irmã paulina, os jovens são e podem ser sujeitos das próprias vidas, conduzindo e evangelizando com propriedade. “Esse é um ponto importante, no sentido de perceber como nós, das diferentes comunidades, estamos abertas às juventudes e como os jovens podem ser sujeitos de sua própria vida cristã, evangelizando outros jovens”, afirma.

“Por ser um livro profético e crítico à opressão política, jurídica e religiosa, cabe a cada batizado perguntar-se como está vivendo seu papel profético, que nos foi concedido pelo Batismo”, prossegue a Irmã, “e como ser uma voz crítica e profética diante de tantas realidades de opressão presentes em nossa sociedade”.

Neste ano, o Mês da Bíblia é celebrado no contexto das eleições nacionais, que serão realizadas em 4 de outubro. Segundo Irmã Zuleica, a escolha do tema se deu também por este motivo. “Por isso, Daniel deve nos ajudar a discernir sobre a política como bem comum e a escolher bem nossos candidatos, não somente aqueles que serão governadores/as ou presidente, mas sobretudo os deputados e senadores, pois são representantes importantes para a caminhada de nosso país, sabendo que cada escolha nossa traz consequências”, pondera.

Material de apoio

Subsídio do texto-base para o Mês da Bíblia 2026 / Foto: Divulgação-CNBB

A Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética preparou um material estruturado para nortear os encontros em todo o país. Mas como esse subsídio traduz a o sentido do Livro de Daniel para a linguagem prática das famílias, círculos bíblicos e grupos de reflexão paroquiais? Segundo a religiosa, o subsídio segue o método da Leitura Orante e é dividido em quatro encontros, uma celebração e a maratona bíblica.

“No primeiro encontro, o tema é a fidelidade dos três jovens, Sidrac, Misac e Abdênago, ao Deus de Israel, narrado em Dn, 3. O segundo terá como temática o fim da soberania dos impérios e o anúncio da soberania de Deus e de seu reino. No terceiro, aborda a realidade de Susana, uma jovem esposa acusada de adultério como vingança por não ter cedido ao assédio de dois anciãos (Dn 13); apesar da corrupção dos juízes e da malícia dos anciãos, o Senhor intervém e salva Susana”, detalha.

Por fim, o quarto e último texto para reflexão é Dn 12,1-13, no qual é descrita a instauração do Reino de Deus, texto marcado por elementos apocalípticos. “Na celebração, escolhemos o cântico dos três jovens, que louvam a Deus mesmo diante da morte, presente em Dn 3,51-90, e faremos memória de todo o percurso trilhado nos demais encontros”, explica Irmã Zuleica.

Meio século de história

O Mês da Bíblia é uma tradição pioneira das Irmãs Paulinas e consolidada na Igreja no Brasil com 55 anos de história. O legado dessa caminhada para o catolicismo no país é que ajudou a popularizar o estudo das Sagradas Escrituras entre os leigos.

“O Mês da Bíblia nasceu de uma sugestão das Irmãs Paulinas, em 1971, por ocasião da comemoração dos 50 anos da Arquidiocese de Belo Horizonte”, recorda Irmã Zuleica. “Em 1985, Paulinas e CNBB assumiram essa iniciativa, que alcançou o âmbito nacional, e, em 1999, o Mês da Bíblia foi assumido como um mês temático da Dimensão 3 da CNBB. E, desde o início, essa iniciativa tem como objetivo o aprofundamento de uma temática ou de um livro bíblico”.

As inúmeras iniciativas desde então ajudaram, segundo a religiosa, a popularizar as Sagradas Escrituras por meio de materiais de aprofundamento, maratonas e gincanas para jovens e crianças, leitura do livro, círculos bíblicos e roteiros de Leitura Orante. “Penso que outra forma de favorecer esse contato com a Bíblia é a escolha de determinado livro como tema do Mês da Bíblia, sobretudo de livros que habitualmente não lemos em casa e que raramente aparecem na liturgia dominical, como o Livro de Ezequiel, Daniel e outros”, afirma.

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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de noticias.cancaonova.com.

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